NAUFRAGIO DO NAVIO ARNEL



 NAUFRAGIO DO NAVIO ARNEL



Navegando de porto em porto, com escalas curtas e ininterruptas, o "Arnel" dava início a mais uma viagem que o levaria de Vila do Porto, na Ilha de Santa Maria, para o porto de Ponta Delgada, na Ilha de S. Miguel. Sexta-feira, 19 de Setembro de 1958, o navio aproximou-se 300 metros da costa a norte da ilha, numa rota que se revelaria fatal. Logo após as 3 horas da manhã, encalhava no baixio do Anjo, abria um rombo junto à casa da máquina, que lhe paralisou o motor e pior ainda lhe cortou a hipótese de ter pelo menos corrente eléctrica a bordo. Em plena noite, às escuras e com o mar a dar sinais de querer invadir o navio, tinha-se gerado o panico e a confusão perfeitamente normal e comum nessas circunstâncias.

O navio transportava 133 passageiros, muitos dos quais embarcados em Vila do Porto e alguns Micaelenses de regresso a casa. Por exigência dos passageiros o Capitão José Rodrigues Bernardes, velho e experimentado marinheiro Açoreano, concorda em fazer descer uma baleeira. Entram 17 pessoas que esperam chegar a terra e pedir socorros. A baleeira vira-se e nos instantes seguintes naufragos apercebem-se que o Rev. Artur Brandão, Capelão do Aeroporto de Santa Maria tenta acudir a uma mãe com o filho ao colo. Esforço inglório. Apenas 3 tripulantes da baleeira rumam a terra e dão o alarme. O guincheiro de bordo José Joaquim foi uma das vitimas, junto a 2 passageiros Micaelense e 11 residentes em Santa Maria, entre os quais duas crianças, uma com 4 anos de idade, outra com apenas 8 meses.

Chegam 5 helicópteros da base das Lajes, na Ilha Terceira e equipas de socorro de S. Miguel, embarcados no salva-vidas "Almirante Augusto de Castilho", no rebocador "Gazela" e também em dois iates particulares. Já durante o dia os helicópteros resgatam passageiros e tripulantes. Dias depois o navio solta-se das pedras e flutua. Não teve rebocadores na ocasião que o pudessem levar para o largo. Desloca-se alguns metros para o norte e senta-se novamente sobre pedras. Está perdido para sempre.

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